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08-Dez-2009

COP15: «É preciso tomar medidas já»


Entre 7 e 18 de Dezembro, os ministros do Ambiente estão reunidos em Copenhaga para a conferência do clima das Nações Unidas. O objectivo é encontrar um sucessor para o Protocolo de Quioto, mas Carlos Borrego, ex-ministro do Ambiente e professor catedrático do Departamento de Ambiente da Universidade de Aveiro (UA), não está optimista


Como está a acompanhar a Cimeira do COP15?
Eu tive o privilégio de estar na preparação na Conferência do Rio de janeiro em 1992 e na assinatura da conferência quadro das alterações climáticas desse ano. Era ministro do Ambiente quando Portugal presidiu à UE no primeiro semestre de 92 e por isso presidi à delegação da UE que foi ao Rio.
Tive, na alturan o papel de negociar todo o ano anterior os vários acordos e convenções que estavam em cima da mesa. Duas acabaram por ser mesmo assinadas, a Convenção quadro das alteraçõpes climáticas e da desertifcação.
Quando acompanho o que está a ser feito, estou sempre a olhar para o que aconteceu nesse ano. É interessante verificar que a história se repete. À medida que nos vamos aproximando das datas, as expectativas vão dimuindo significativamente. No final da conferência de 1992 e depois de múltiplas negociações e diplomacia, conseguiu-se chegar a alguns documentos.
Também me recordo que muita gente disse que tinha ficado àquem das expectativas. Hoje, quase vinte anos depois, olhando para a conferência de Rio, posso dizer que se aquela convenção não tivesse sido aprovada, não teríamos o protocolo de Quioto e não estariamos a discutir outra vez as alterações climáticas.


borregoO que é pode vir a ser um bom acordo a sair de Copenhaga?
Há aqui duas questões críticas, que têm a ver com os dois novos parceiros, que são os países emergentes da Ásia, a china e a india e com eles o aumento signifivo das emissões, e não termos visto os outros, que já em 92 eram considerados emissores, como a UE, Rússia e EUA, não alterarem suignificativamente as suas estratégias em 1997, em Quioto. Associado a este panorama, temos a questão de haver uma crise económica e ser necessário retomar o dinamismo económico que passa pela utilização dos recursos que geram as emissões gravosas para a atmosfera para a alterações climáticas. Isto vai no sentido que dificilmente haverá predisposição dessas potências para reduzir essas emissões e o que nós precisamos é reduzir.

O que é preciso para que esses países tomem consciência do problema?
Não é possível mitigar mais sem reduzir as emissões. Continuo a ver com enorme preocupação que não há vontade política. Quando o líder do único grande país que nunca ratificou o tatado de quioto diz que passará por Copenhaga mas que que vai referir-se ao assunto no discuso que fizer quando receber o Prémio Nobel na suécia. Isto é um sinal indicador qde que não se está a fazer o esforço necessário para fazer decisões grandes em Copenhaga.

Qual o papel da UE nesta conferência da Dinamarca?
Os últimos dados disponíveis sustentam que não podemos ultrapassar um aumento de dois graus de temperatura, porque isso vai acarretar uma alteração total na biosfera. Ora, para que isto não aconteça, temos que reduzir as emissões de CO2 mas também de outros gases com efeito de estufa, em valores significativos mudando os nosso sistemas de produção.
Confio que a diplomacia da UE faça o que tem feito desde há 17 anos, que é continuar a ser o grande motor destas questões das alterações climáticas e viu-se que alguns países cumpriram e até ultrapassaram as metas fixadas. Mas outros não e Portugal está no lote dos que não cumpriram.

O que pode então vir s er decidido?
É muito dificil falar no que pode acontecer. Nunca me esqueço que nem se falava em dinheiros e, no entanto, no Conselho de Ministros da UE no Rio de Janeiro, a UE cedeu 600 Milhões de ECUS para o projecto. Isto para dizer que, no local e na discussão, há muita cosia que é decidida e que é dificil antecipar. Uma boa decisão, no entanto, é saber como vamos influenciasr os países que estão a desenvolver as suas economias para que não vão no mesmo sentido que as nossas.

Qual é a dotação/ajuda ao desenvolvimento necessários para que isto seja de facto eficaz?

Montantes é dificil de prever, mas se não vir nada preparado para ajudar, vou ficar mais preocupado. Os paises não vão mudar atitudes se não tiverem algum incentivo para o fazer. A mudança tem que ser radical na polítca global.
Não podemos olhar para o nosso umbigo, pq todos pagamos por aquilo que todos fizermos.

Como se mudam os hábitos de vida?
Temos que reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050? Então, vamos a isso. O protocolo de Quioto fixou uma redução de 5% de emissão de gases para 2008/2012 com base nas emissões de 1990. Olhando para os países desenvolvidos, alguns nem o ratificaram, como os EUA, que continuaram a emitir como se nada fosse. De que serviu fixar metas se não definirmos os instrumentos?
As alterações climáticas estão mesmo aí, e em 1990 achavamos que estavam a começar. Se fecharmos hoje as torneiros dos gases, nos próxmios 50 anos continuariamos a sofrer os seus efeitos. Não é uma questão de futuro, é presente. Quanto mais cedo tomarmos medidas melhor.

 
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