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05-Fev-2010

"Do nada", Salvador construiu um império

salvadorSalvador Caetano,  o "senhor Toyota", acaba  de entregar aos filhos os  negócios e a fortuna que acumulou ao longo da vida

"Salvador Caetano veio do nada." É com orgulho que os habitantes da Freguesia de Vilar de Andorinho, Vila Nova de Gaia, contam a história do ilustre filho da terra detentor de uma fortuna que é considerada a décima maior do País e que acaba de confiar aos filhos. Filho de "gente humilde", veio ao mundo a 2 de Abril de 1926, no lugar de São Lourenço, no extremo da Freguesia de Vilar de Andorinho. O pai era carpinteiro em Santo Ovídio e a família numerosa fez que Salvador abandonasse a escola logo após a conclusão da instrução primária.

A condição financeira de um agregado com cinco filhos obriga--o a conhecer o árduo mundo do trabalho logo aos 11 anos. Por intermédio do pai, inicia-se no ofício de pintor nas carroçarias de Castro Reis. Já com a ambição que lhe valeu anos mais tarde a construção de um império, Salvador Fernandes Caetano começa depois a trabalhar sozinho na reparação dos autocarros da empresa de viação Gondomarense.

Para trás fica a aspiração ao curso de Direito, que a bolsa familiar não conseguia suportar. "A universidade dele foi a vida", conta um historiador da freguesia que viu crescer o industrial.

Aos 20 anos (em 1946), resolve estabelecer-se na indústria das carroçarias, juntamente com o seu irmão Alfredo e com Joaquim Martins, e cria a empresa Martins & Caetano & Irmão, Lda. A pequena firma seria o embrião da Toyota Caetano Portugal, SA e do próprio grupo. Dizem as gentes de Vilar de Andorinho que "rapida- mente aquela empresa se impôs pela qualidade dos seus serviços".

Porém, o início de actividade foi conturbado e a sociedade acabou por desfazer-se. Salvador Caetano resolve, então, entrar sozinho no mundo industrial e a partir daí a sua ascensão foi constante.

Foi "quase ao pé da porta" que Salvador Caetano descobriu aquela que viria a ser a sua companheira para toda a vida, Ana Pereira. "Eram praticamente vizinhos. Ela era filha de lavradores abastados, mas nunca se deu ares de grande senhora: era humilde, recatada e nunca gostou do estrelato", contou ao DN um conhecido da família.

Do casamento entre Salvador e Ana nasceram três filhos: primeiro Maria Angelina, cinco anos mais tarde Salvador Acácio e, outros cinco anos depois, Ana Maria. Ao longo dos anos, as relações entre os três irmãos foram-se deteriorando, o que poderá estar na origem da decisão do "senhor Toyota" de dividir os seus bens. A filha mais nova, Ana Maria, não fala com os irmãos. E mesmo Maria Angelina e Salvador Acácio, que agora estão lado a lado nas holdings Salvador Caetano SGPS e Caetano SGPS, tiveram em tempos fortes desavenças.

Extremamente dedicado às empresas e aos negócios, o patriarca admite que a família ficou algumas vezes para trás. O seu primeiro contrato de exportação de autocarros para Inglaterra surge em 1967. Um ano mais tarde, era o representante exclusivo da Toyota em Portugal.

Em 1971, inaugura em Ovar "uma das melhores unidades industriais de montagem de automóveis". A expansão da empresa e dos negócios alarga-se a todo o País e ao estrangeiro, atingindo rapidamente uma forte dimensão. («DN»)

 
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