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Milhares de pessoas trabalham nos preparativos Milhares de pessoas dedicam este fim-de-semana todas as suas horas livres a ultimar os adereços e as coreografias com que vão representar os seus grupos nos cortejos do Carnaval de Ovar.
Em dezenas de localizações diferentes dispersas pelo município, trabalham até altas horas da madrugada os cerca de 2000 figurantes do Carnaval e algumas centenas de pessoas - entre amigos, familiares e alguns técnicos - que os ajudam a costurar e decorar trajes, a ensaiar coreografias, a construir carros alegóricos e também a alimentarem-se devidamente. Há quem esteja de plantão junto às bifanas, porque “o povo precisa de energia para produzir”, e há quem abasteça os trabalhadores de caipirinhas, até porque, como refere Augusto Marques, do grupo “Pierrots”, trabalhar ao relento desde dezembro não é fácil e, “para o pessoal não chegar doente ao Carnaval, a cura é sempre mais um copinho”. No período calmo do ano, os “Pierrots” encontravam-se uma ou duas vezes por semana no armazém onde têm sede; há mês e meio mudaram-se para o mercado do Furadouro, ao ar livre, onde diária e gradualmente vêm criando a carroçaria de uma série de táxis amarelos construídos de raiz em ferro, poliuretano e carpélio, para afinal desfilarem como camelos de cuja bossa espreitam “uns árabes esquisitos cheios de tralha para vender”. As “Melindrosas” estão mais aconchegadas. Distribuídas por vários quartos de uma casa particular, as cerca de 50 donzelas que constituem o grupo dedicam-se a coser o debrum dos chapéus com que vão desfilar e a aplicar lantejoulas no resto das fantasias. Na comitiva da Fundação do Carnaval de Ovar, que sexta à noite visitava os grupos que participam no evento, havia sorrisos masculinos que se rasgavam com um toquezinho de lascívia na aproximação à sede desse grupo: “Aqui só há mulheres e é cada uma…!”. No interior, contudo, as Melindrosas mostram-se modestas: “Gajas boas, nós?”, surpreende-se Áurea Costa, a chefe do grupo. “Temos a preocupação de levar para o cortejo pessoas minimamente apresentáveis, quase escolhidas a dedo. A única coisa que eu confirmo, portanto, é que primamos pelo bom gosto”. A concorrência será a das 74 meninas do grupo “Bailarinos”, conhecidas por serem “as mais enérgicas de Ovar”. Conta-se que “desfilam a dançar três horas seguidas, com uma pujança incrível”, mas isso nem parece tão impressionante quando comparado com as sete a oito horas de ensaios que vêm tendo todos os sábados desde o início de Janeiro, já para não falar nos outros dias da semana. Esse treino faz-se no salão polivalente da Escola EB 2/3 Monsenhor Miguel de Oliveira e Gabriela Frutuosa, que coordena os passos de dança do grupo, explica: “O segredo é a dinâmica que há entre as pessoas. É difícil conciliar este trabalho todo - fatos, costureiras, encomendas de material, ensaios, telefonemas - mas depois a parte boa é este convívio e bom ambiente, que nos deixa cheias de auto-estima e energia, que é o que convém ao espírito do Carnaval”. Os 19 grupos e quatro escolas de samba que participam no Carnaval de Ovar têm três exibições previstas até 16 de Fevereiro. O programa do evento pode ser consultado em www.carnaval.ovar.net. |