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12-Fev-2010

"Xaxas" brincam a sério há 40 anos     

xaxasUm dos destaques na edição de 2010 do Carnaval de Ovar é o grupo “Xaxas”, que celebra 40 anos de folia exclusivamente protagonizada por homens, todos com fama de usarem as fantasias com mais engenhocas da festa.

Carlos Andrade, presidente do grupo, admite que a reputação pelo aparato dos fatos é merecida, mas, quanto à exclusividade masculina, esclarece que a associação beneficia da ajuda de muitas “amigas” e conta com a inspiração de uma porta-bandeiras de “cara bonita”.

Se aos homens cabe oficialmente o “trabalho pesado” é porque “o Carnaval é uma brincadeira que os «Xaxas» levam muito a sério”.

Talvez por isso, os principais marcos na carreira do grupo sejam as vitórias obtidas pela sua prestação nos cortejos, embora Carlos Andrade garanta: “Ganhar nem sempre é o ponto mais alto e houve segundos lugares que nos deram muito gozo!”.

Para homenagear todos esses momentos, a prestação deste ano dos “Xaxas” não está limitada aos cerca de 45 elementos com idades entre os 13 e os 62 anos que integram oficialmente o grupo, alargando-se antes a um total de 63 foliões, de forma a incluir nos festejos antigos elementos da associação.

O tema a explorar é “Festa é festa!”, o que Carlos Andrade considera “adequado ao aniversário e também ao espírito geral dos «Xaxas»”; quanto ao conteúdo dessa proposta, o presidente do grupo limita-se a revelar - “para não estragar a surpresa” - que estará relacionado com o folclore da Madeira.

Os desfiles em que essa temática se vai desvendar serão, por sua vez, o culminar de todo um trabalho que se desenvolve “uma vez por semana na maior parte do ano, com exceção para os meses de verão, e sete dias por semana, se for preciso, quando o Carnaval está a chegar”.

“Mas divertimo-nos o ano inteiro”, assegura Carlos Andrade. “Construímos as nossas fantasias, acompanhamos todo o processo e é isso que nos dá gozo. Temos uma vivência muito grande dentro da nossa sede, que é a nossa oficina de trabalho e acaba por ser também uma escola em que uns elementos do grupo ensinam os outros a lidar com o ferro, a fibra de vidro, a espuma, a madeira e todos os outros materiais que forem precisos”.

O espaço disponível para o efeito nem sempre é suficiente. Em 40 anos, os “Xaxas” já mudaram várias vezes de sede, mas nas últimas duas décadas ocuparam sempre a mesma morada, desenvolvendo o seu trabalho num espaço que, embora não sendo o ideal para as exigências da tarefa, não deixa de representar “mais estabilidade do que a maioria dos outros grupos consegue ter”.

Ainda assim, a principal ambição dos “Xaxas” é ver concretizado o projeto da Aldeia do Carnaval, o equipamento em que a autarquia deverá ceder a cada grupo carnavalesco um espaço próprio para a sua actividade. “Andamos muitas vezes com a tralha às costas de um lado para o outro”, desabafa Carlos Andrade, “e isso ia facilitar muito a nossa vida, além de contribuir para desenvolvermos ideias ainda melhores”.

Entretanto, a alternativa é “continuar com boa disposição”. Os “Xaxas” também são conhecidos pelo seu talento de “piadistas” e Carlos Andrade garante que, “quem aguentou até aqui, não vai perder o bom humor por tão pouco”.

 
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