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Caçadores de tesouros buscam areal do Furadouro O mar do Furadouro escavou e levou consigo toneladas de areia da praia que, assim, praticamente desapareceu. Para ter uma ideia do fenómeno, basta lembrar que, quem estava na Avenida Marginal, bastava dar um passo para entrar no areal. Agora não é bem assim. Há que ter cuidado, porque se der um passo em falso pode cair numa ribanceira que agora tem cerca de três metros de altura e cair nas águas revoltas do oceano.
Quando a maré baixa, o cenário melhora um pouco, passando as ondas a rebentar alguns metros mais atrás. Esta é a altura ideal para o “caçadores de tesouros” esperarem que o mar devolva o que ficou perdido e escondido no areal ao longo de décadas ou séculos e que foi levado pela água. “O mar não quer o que não lhe pertence”, começa por dizer José Ferreira, desempregado, residente no Furadouro e que passa os seus dias na percorrer a zona de rebentação à espera do que possa aparecer. Enquanto fala connosco, mostra a mão cheia de moedas, de euros e de escudos. “Já aqui apareceram moedas do tempo dos descobrimentos”, assevera, com os olhos pregados no mar. Subitamente, vê algo a brilhar na rebentação, aponta e exclama: “Vê, está ali uma moeda” e pula até lá para a recolher, enquanto a onda se forma lá atrás outra vez. José Ferreira explica que “quando o mar leva muitas coisas num curto espaço de tempo, como foi o caso agora aqui no Furadouro, há a tendência para acumular, por exemplo, as moedas num sítio e depois atira-as todas para fora”. José está à espera dessa “sorte grande” que já viu acontecer a outros. Como ele, há muitos outros que, por estes dias, investem tempo na busca de moedas ou ouro que o mar atire para a praia. “Aparecem muitos fios de ouro, brincos, pulseiras, enfim, daquelas coisas que foram sendo perdidas ao longo dos tempos na praia durante o Verão”. De resto, há mesmo já quem tenha gasto verbas assinaláveis a adquirir máquinas detectoras de metais para tentar encontrar essa “mina” acumulada ao longo dos tempos. Tudo porque a erosão costeira na praia foi a mais violenta dos últimos anos. Mas é preciso cuidado, já que os objectos de valor têm que ser declarados às autoridades, o que pode levantar problemas com as finanças ou até com o subsídio de desemprego.(«Diário de Aveiro») |